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Fui ao Leadership Summit. Valeu a pena?



Na belíssima sala “Preto e Prata” do Casino Estoril, decorreu ontem o Leadership Summit Portugal 2023. Foi a minha estreia na plateia e o balanço deixa dúvidas.

Começou mais ou menos. Piorou. Depois melhorou.

Tirei apontamentos, reencontrei pessoas conhecidas e parei para pensar. Ainda assim, venho com dúvidas e meio confuso… não me terei enganado e estive na Web Summit?


Vamos ao melhor - as 10 ideias que ficam e as minhas aprendizagens:


 1. Numa época de mentiras globais, de fake news e de informação-contra-informação, falar a verdade é um ato revolucionário.


 2. Nunca como atualmente o discernimento foi tão importante porque nunca houve tanta informação disponível de forma tão simples e imediata.


 3. Sem lideranças eficazes ficamos à mercê dos ignorantes com iniciativa.


 4. Quando falares com alguém, fá-lo como se fosses um génio. Quando escutares alguém, escuta-o como se fosse um génio.


 5. As grandes decisões dificilmente têm consenso.


 6. É importante encontrarmos maneiras de sermos mais tendo menos, quando a tendência é ser-se menos tendo mais.


 7. Quem tem dados tem vantagem mas nem sempre quem tem vantagem lidera.


 8. Nenhum problema estrutural se resolve a pensar no curto-prazo.


 9. A Inteligência Artificial deve ser compreendida à luz da ciência, usada com equilíbrio e restringida aos contextos e lugares em que queremos que entre: nos restantes deve ficar de fora.


 10. Ganhamos mais vezes quando pensamos “se perdermos que se lixe” do que quando pensamos “temos mesmo de ganhar”.


Ainda assim, confesso que a expectativa não foi atingida. Falou-se demasiado de tecnologia, afins e eteceteras. A certa altura pensei que estava na Web Summit ou num congresso de inovação nos EUA. Eu sei que a tecnologia está aí para mudar o mundo, mas a deriva temática foi mais que evidente, um completo tiro ao lado, muito ao lado. 

Começou-se com o crescimento económico, revolução tecnológica, AIChatGPT e de repente já se estava nos humanoides, realidade virtual, cibersegurança, robótica, automação, guerra, física quântica, supremacia quântica, compliancegovernancebuzzwordsinsights e thoughts.


Chiça…


Entretanto, pensava eu nas questões que todos os dias fazem parte da realidade empresarial com que trabalho, que inclui empresas públicas e privadas, familiares e multinacionais, com 10 pessoas ou com 5.000 espalhadas por vários países. 


Dou 10 exemplos:


 1. Que lideranças precisam mais as organizações de hoje: Situacionais ou Transformacionais?


 2. Que estilos de liderança estão a gerar mais problemas ou a resolvê-los?


 3. Que referências e exemplos de liderança têm as novas gerações e porquê?


 4. Qual o papel atual que as chefias intermédias estão a desempenhar nas organizações?... e sempre foi assim ou está a mudar?


 5. O que tem gerado melhores resultados quando é necessário encontrar novos líderes: promover internamente ou contratar fora da organização?


 6. Quando os líderes são promovidos internamente e passam a liderar a equipa de que faziam parte, por vezes têm problemas em ver a sua autoridade reconhecida. O que pode ser feito para os ajudar?


 7. Como resolver o problema da falta de soft skills em líderes mais jovens que chegam a cargos de liderança apenas com hard skills?


 8. O que difere nas boas práticas de liderança hierárquica (report direto) e gestão funcional (em projetos voláteis)?


 9. O que deve ser adaptado quando se passam a liderar equipas à distância (noutras localizações) ou em teletrabalho?


 10. Como se dá feedback negativo sem desmotivar colaboradores cada vez mais sensíveis a este tema?


Eram estas perguntas que eu levava na cabeça e se algumas delas tivessem sido abordadas, já ficava contente. Mas não foram, por isso venho desiludido.

É da minha cabeça ou estes temas (e outros associados, naturalmente) são aquilo que realmente importa para quem trabalha nas organizações e pensa em “Liderança”?


O melhor: a história de vida do Emmanuel Trinity, o poema da Alice Neto de Sousa, o painel da liderança sensitiva, o papel do humor na liderança e o painel final com os humoristas.


O pior: a fuga ao essencial, um painel sobre guerra que teve zero de liderança e tudo de geopolítica, painéis de debate com perguntas pré-definidas, respostas formatadas e com todos a dizer o mesmo.

Se valeu a pena? Sim, porque a minha alma não é pequena… mas não sei se volto.


Como ouvi por lá: muito tech, pouco people.

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